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Mãe de surfista

August 9, 2016

Ser mãe de surfista é viver em um mundo à parte e ao mesmo tempo ser parte principal da vida do filho. É acordar cedo, preparar o lanche do dia, o café da manhã, lembrar da toalha e do casaco (vai que bate um ventinho, hahaha), dirigir por horas enquanto o surfista dorme ao lado, é dormir tarde e acordar cedo de novo... 

Como são essas mães e esses pais que estão ali na torcida e no apoio? Independente das escolhas e dos talentos do filho, no mínimo São pessoas que tem muita garra, muita esperança de dias melhores e muita vontade de ver a evolução de um ser que está abrindo as asas. É um processo diário. 

Para um surfista chegar a ser profissional, há uma enorme estrada. A família tem um papel fundamental desde a criação e valores que carregam e ensinam, como apoio emocional, investimento de dinheiro e tempo. Tudo isso numa situação ideal, porque nem sempre é possível participar efetivamente; No Brasil há vários casos em que os pais trabalham arduamente pelo sustento da casa e o que tem é o básico. Não dão conta de tantas preocupações e não dispõe de uma infraestrutura de ensino, de esporte e saúde. Situações assim exigem muito mais de um atleta. Ele tem que criar oportunidades para manter o sonho vivo. No melhor dos casos, com apoiadores e patrocinadores. Ganhar ou perder uma competição faz parte de uma história que é escrita pouco a pouco, com vontade, paciência e determinação. São os detalhes que transformam a vida de uma criança. Cada palavra, cada gesto, cada parafina comprada. Ele precisa se sentir protegido e confiante superar medos e incertezas e continuar alimentando os sonhos.  Ele precisa saber que não basta fazer o movimento correto e que Tem todo um lado emocional a ser cuidado, trabalhado e desenvolvido. Creio que 50% de um atleta são prática contínua, os outros 50% o emocional. Como mãe, devo respeitar a individualidade dele e, ao mesmo tempo, cobrar de forma saudável por disciplina e seriedade e ensinar a humildade com carinho e foco. Todos querem ter um filho campeão, claro! Mas acho que ser campeão é principalmente superar os limites individuais, é sentir que está no lugar certo, fazendo o que tá a fim. O papel da mãe, de quem cria, é de psicóloga, treinadora, motorista, enfermeira, empresária, assessora, amiga, incentivadora. É ser chata, dar mil beijos, ser compreensiva (coerentemente dentro do impossível) e também mandar lavar a louça. Não é fácil por diversos motivos ser mãe de surfista... o pior é aguentar cada bateria em dia de competição...coisa de herói. Como manter a calma??? O que dizer depois da vitória? E quando ele não se saiu tão bem?  

Fui criada entre atletas. Cresci nadando nas piscinas do Flamengo, do Curitibano, do Clube Náutico Mogiano, do Corinthians. Meu pai foi campeão sul-americano de Natação e depois virou técnico. Como filha de técnico, o vi saindo no meio das madrugadas para trabalhar, passei muitos finais de semana sem ele e quando o acompanhava em viagens, sentia muito orgulho daquele cara bravo cujos atletas/alunos o adoravam, os pais o idolatravam. Ele sempre foi muito disciplinado e, com base nesse exemplo, educo meu surfista, minha artista, meus filhos. Me lembrei de algo que fiz algumas vezes e que não me orgulho, mas que ainda acho graça, hahaha... no final dos treinos aconteciam os tiros (simulação de competição para marcar o tempo do atleta) e meu pai ficava bem sério e concentrado... Aí quando a galera tava quase chegando para encostar a mão na borda, eu me jogava na raia de alguém e detonava aquele tiro... Meu pai queria me matar e por dentro eu ria muito, mas ao mesmo tempo queria atenção, hoje eu sei. Eu devia uns oito, nove anos. Após refletir sobre, vejo que para ser mãe de atleta, ser técnico (e ter filhos), ser filho de técnico é ter que lidar com mil sentimentos, ausências, escolhas com os objetivos bem traçados. Como mãe de um adolescente esportista de 13 anos e de uma menininha super mega ativa e artista de seis, me desdobro esses dois seres cheios de características próprias, que pedem minha atenção constantemente (claro! São como pintinhos, filhotinhos). Enquanto um vive na adrenalina entre competições e treinos que exigem logística, a outra quer brincar, brincar e brincar, mas compreende o lado do irmão e fica numa boa, apesar de ficar ligeiramente "de lado".  procuro balancear as atenções, mesmo que sejam em dias diferentes e explicar o que está acontecendo, além de dar muito amor. Cá pra nós, como nós pais nos desdobramos! 

Diante dessa montanha russa que é a vida, posso dizer que estou apta a continuar nesse caminho que seguimos. Não há perfeição de modo algum! Também não há nada que seja impossível. As recompensas são vivenciar esse meio incrivelmente rico de aventuras, risadas, nas melhores energias que se pode ter, com a torcida dos amigos e da família, ver o sol nascer e se por, meditar ouvindo o mar, dar um mergulho e sentir a alma respirar. 

Nada é certo, mas tá tudo certo. A felicidade acontece agora, não é algo que existe no futuro. Por essas histórias e tantas outras que eu digo à você mãe (pai, avó, irmão,...) parabéns por acreditar no seu filho e por respeitar seus sonhos...do que for! Pode ser surfista, skatista, nadador, corredor, ciclista, ou atleta de cuspe à distância. A vida sem sonhos é sobreviver aos acontecimentos do mundo sem questionar, sem agir e sem sentir. 

Esporte é estilo de vida, independente do podium. Superar as dificuldades individuais é alimentar e libertar a alma. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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